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Recap : TOP 10 de álbuns de K-Pop // Mid-Year 2021

  • Writer: Fefa
    Fefa
  • Jul 7, 2021
  • 23 min read

Updated: Nov 10, 2021


Com a chegada de Julho e o ano de 2021 se encaminhando para sua segunda metade, é hora de compilar alguns dos principais lançamentos do K-Pop em uma lista que existe pelo propósito de comentar um pouquinho sobre o que anda pela minha playlist. O tema central é K-Pop e eu selecionei 10 álbuns (minis e fulls) que eu considero que melhor simbolizam o cenário musical de 2021. De bônus, tem outro compilado com leftovers (sobras que não entraram no ranking mas valem a pena conferir) e uma listinha com troços ocidentais interessantes. Como é uma lista de meio de ano, apenas álbuns lançados até Junho entraram aqui. Com sorte, eles se mantém até o final do ano - ou não. Vamos adiante:

10 : CHUNG HA, Querencia O Querencia é o primeiro álbum completo da carreira da CHUNG HA. E talvez o fato mais interessante em torno desse álbum é o quanto ele funciona, em grande parte, por ser a CHUNG HA que encabeça o projeto. A grande força da CHUNG HA ao longo de sua carreira sempre foram suas titles marcantes e a maneira como ela sabe incorporar a personalidade de grande diva pop da Coreia por meio de seus singles. No entanto, é impressionante ver o quanto o Querencia se expande por vários terrenos, dando mais corpo para a persona já conhecida da cantora, mas também incluindo uma série de novidades no repertório da artista.

Dividido em quatro atos, o álbum passeia pelo NOBLE - segmento que inclui a title central, Bicycle, e mais uma porção de faixas que conversam com o pop ocidental e situam a CHUNG HA como um nome além de seu mercado local - SAVAGE - feito para os gays e ponto alto do projeto, alocando alguns dos melhores momentos da carreira da solista até aqui, como Stay Tonight e Dream of You - UNKNOWN - o lado onde a CHUNG HA mostra toda a latinidade que corre em suas veias através de faixas como PLAY e Demente - e PLEASURES - agrupando as baladas e midtempos do álbum, entre elas o power rock X e o trip-hop All Night Long, canetada da Yerin Baek, até chegar ao seu encerramento em um epílogo homônimo.


Embora o conceito estabelecido seja bastante interessante, a divisão do álbum não é perfeita, fazendo com que o projeto pareça uma colagem de quatro mini álbuns diferentes em alguns momentos. Da mesma forma que o número elevado de faixas na tracklist pode te distrair em uma execução mais rotineira do Querencia.


Contudo, há muita coisa acima da média dentro desse projeto e sem a presença da CHUNG HA nada disso funcionaria da maneira que a cantora trabalha para que funcione. Ao fim do dia, o resultado definitivo é um primeiro full álbum forte, diversificado e identitário o bastante para marcar a imagem e persona de um dos principais nomes entre as solistas de sua geração.

09 : YUKIKA, timeabout, A YUKIKA é uma gatinha japonesa que desembarcou no K-Pop há alguns anos com uma title singela, um MV dirigido pela DIGIPEDI e alguma repercussão entre fãs do LOONA e blogueiros de fundo de quintal. Levou um tempo até que isso fosse possível, mas ano passado a cantora fez sua estreia oficial com o Soul Lady, meu álbum favorito do K-Pop em 2020. O maior diferencial da YUKIKA, bem como um dos motivos pelo qual ela está começando a findar seu nome da indústria, está na direção musical adotada pela cantora: a artista seleciona a dedo as faixas que irão compor seu repertório lotado de músicas que dialogam com o City Pop, estilo tradicional de música japonesa que se tornou muito popular nos anos 80 e que recebeu um novo boom na internet em anos recentes. Dizer que a YUKIKA lança apenas City Pop é um pouco injusto com a menina, mas, de fato, o ponto de partida para tudo que ela solta é embebido dessa vertente musical, ainda que ela lance músicas que conversam com o house e o synthpop aqui e acolá, algo que fica mais nítido no timeabout,.

Dando sequência aos seus trabalhos como solista no K-Pop, o timeabout, é o primeiro mini álbum da YUKIKA e dá um passo em frente com bastante assertividade e segurança. O City Pop ainda está aqui, mas a mescla de influências é maior e o leque de demos que caem no colo da cantora são muito bem vindas para fazer desse mini um destaque no ano e empolgar quem espera algumas surpresas da cantora - as maiores delas sendo o synthpop retrô Secret e a title repleta de nostalgia Insomnia. Ao que tudo indica, a YUKIKA já está preparando uma sequência para o lançamento - a pista é a vírgula deixada sugestivamente ao final do título do álbum - e eu estou ansioso para acompanhar as próximas decisões da cantora.

08 : WJSN, UNNATURAL O WJSN, ou Cosmic Girls, é um grupo que demorou para entrar no meu radar, mas uma vez que o fez nunca mais se desviou da minha mira. O UNNATURAL é um mini álbum que soma à discografia do grupo levando as garotas cósmicas para as pistas de dança, amadurecendo suas imagens e entregando faixas que focam em vendê-las como jovens adultas com músicas que são coerentes com a idade atual das integrantes do lineup, mas que ainda assim conseguem dialogar com a sonoridade que elas adotavam outrora - algo semelhante ao que ocorreu com Apink, TWICE e GFRIEND (R.I.P).

Em uma tracklist bem pensada e bastante fluida, o WJSN desfila uma sequência imbatível que inclui a title UNNATURAL - que investe fundo no Dance Pop e vende a ideia geral do comeback com maestria - a sensual Last Dance, a cósmica Super Moon, o retrô trilha sonora de motel New Me e a farofona calcada no voguing YALLA. A baladinha eu dispenso. De quebra e para a felicidade geral da nação, esse ano a Starship debutou na sequência do UNNATURAL uma unit chamada WJSN THE BLACK com um lineup reduzido a quatro garotas cósmicas de terninho - Bona, Eunseo, Exy e Seola. E é TÃO FÁCIL ser comprado pela pose de grandes gostosas que elas vendem aqui que essa unit se torna uma ótima adição para a ideia do UNNATURAL em si como um projeto mais maduro do girlgroup.

Atuando em conjunto com as faixas do comeback do grupo (quase) completo, a title Easy e a bside Kiss Your Lips são músicas que expandem a versatilidade do WJSN e mostram que elas podem operar em diferentes frentes musicais com bastante êxito - Como se esquecer do WJSN Chocome ano passado com sua Hmph! que combina o espírito de Orange Caramel com o som do Crayon Pop? Ouçam esse marco!

07 : TOMORROW X TOGETHER, The Chaos Chapter : FREEZE Dando sequência na lista com o primeiro ato masculino a aparecer no Top 10 nós temos o The Chaos Chapter : FREEZE, o segundo full álbum da carreira do TXT e também o projeto que se apresenta como o maior ponto de maturidade do boygroup até então. Para quem nunca se interessou pelos lançamentos dos novinhos da Big Hit, o TXT é notável por sempre ter se mantido fiel ao seu conceito teen pop e à sonoridade dreampop manifestada em titles muito bem escolhidas, carregadas nos sintetizadores e na simbologia dos títulos imensos - 5시 53분의하늘에서 발견한 너와 é insuperável até hoje. O TXT também é caracterizado por sua estética mais colorida e fantasiosa que dialoga com seus singles e com a boa quantidade de bsides acima de média que eles lançam em seus álbuns. Contudo, como o tempo passa e os novinhos crescem, agora é o momento no qual a empresa dá uma repaginada na imagem e uma guinada nos rumos preestabelecidos para mantê-los interessantes por mais tempo, e até mesmo para atrair um novo público.

Da faixa de abertura do álbum, a midtempo dreamy Anti-Romantic, até o desfecho com uma composição da rapper Ashnikko, FROST, o TXT aproveita muito bem a duração do projeto para apresentar o funky autotunado de Magic, o trap melódico de Ice Cream e What if i had been that PUMA, o house de No Rules e o rock de estádio Dear Sputnik, expandindo-se por uma nova imagem e reafirmando com mais força e intensidade algumas sonoridades que já flutuavam em seus álbuns. Contudo, a grande força de The Chaos Chapter : FREEZE está na title que lidera todo esse jogo e renova o histórico do grupo: 0X1=LOVESONG (I Know I Love You).


Desde já aviso que vai ser difícil outro bando de macho tirar o posto dessa aqui como melhor title de boygroup em 2021, mais porque é quase impossível bater de frente com a melodia emocore, a interpretação rasgada, a estética embebida de nostalgia dos anos 2000, a rebeldia adolescente amorosa emulada pelos membros, a letra passional e com a participação fundamental da Seori, do que por qualquer falta de qualidade em outros trabalhos masculinos - Diga-se de passagem que esse ano tá fluindo muito bem pro lado deles, mas o TXT vence no panteão de singles trabalhados.

06 : TWICE, Taste of Love Os anos mais recentes da carreira do TWICE marcam o amadurecimento do grupo, deixando de lado o colorpop e apostando em uma salada musical mais temperada que acrescentou muito valor ao catálogo de titles do grupo da nação coreana. As titles trabalhadas pelo TWICE se diversificaram junto a uma coleção de bsides de alto nível que são agrupadas em seus álbuns, que também deram um salto em qualidade e coerência musical, resultando nos ótimos Fancy You, Feel Special, More & More e Eyes wide open. A quebra de monotonia no calendário de lançamentos do TWICE se tornou grande o bastante para que, hoje em dia, você possa esperar por alguma novidade singular vindo delas comeback após comeback. Com o Taste of Love não é diferente.

Nesse novo mini álbum, o décimo delas, o grupo marcha adiante com mais um projeto que agrega valor ao seu histórico, começando pela bossa nova veraneia Alcohol Free e passando pelas canetadas espertas das integrantes que dão muito mais força para esse comeback. Incluir o TWICE no Top 10 de álbuns anual já se tornou previsível para quem escreve sobre K-Pop, assim como virou algo indispensável. E aqui os destaques e recomendações para quem se distrair com a investida inusitada da title são Scandal, SOS e Baby Blue Love, três músicas marcadas pela pegada do verão e que deliciam quem ouve pela nostalgia retrô refrescante que emulam.

05 : BIBI, Life is a Bi… A BIBI é uma rapper sul coreana que vem criando seu terreno dentro da indústria local, conseguindo se estabelecer como um nome muito interessante do K-Hip-Hop que também flerta com o K-Pop. O Life is a Bi… é um mini álbum que surge na carreira da BIBI após uma boa sequência de singles comerciais bastante diferenciados entre si - Kazino, I’m good at goodbyes e Eat My Love, amo todos - porém aposta em outra curva para mostrar que a artista segura um projeto completo e conciso com começo, meio e fim.

À primeira vista pode até parecer que esse mini é só mais um compilado de demos trap feitas para uma fácil digestão, mas as letras e o flow da rapper, as melodias mais lentas e a estética visual empregada ao longo desse projeto fazem com que ele pare na sua garganta em uma audição mais atenta ao que a BIBI realmente está dizendo ao longo de cinco faixas.

O maior desafio que o Life is a Bi… propõe ao ouvinte é a crueza. Tudo aqui é direto e reto, sem desvios, sem meio termo e sem rodeios. É pessimista, confessional e simples: não há segredo, há apenas uma dose de coragem para mostrar-se além da aparência, pedindo por um pouco mais de tudo, das pessoas, das relações e do mundo, de uma forma submissa, permissiva, dependente e até mesmo amarga e desiludida. Relacionável.

BAD SAD AND MAD, a title central do projeto, é um exemplo vivo e estonteante de crueza. Poucas vezes o amor me pareceu tão cru quanto aqui, e talvez por isso seja tão mais real - Há mais sobre a forma de viver o amor do que a positividade e a BIBI te lembra disso de forma ampla, por meio de decisões erradas, metáforas sobre dominação, culpa e um tanto de raiva, arrependimento e ressentimento.


04 : SEVENTEEN, Your Choice Esse aqui não estava no meu Top 10 até uns dias atrás, mas voou direto para cá e fincou seu lugar quando eu percebi que ele não sairia tão cedo dos meus fones. O SEVENTEEN ocupa um espaço na ala de boygroups que eu simpatizo muito, gosto de uma title ou outra, mas nunca quis me aprofundar muito - Foi bom ter feito o contrário dessa vez. O Your Choice é um passeio por vários moldes do synthpop e da EDM, incluindo no combo uma dose de nostalgia retrô que é sempre bem vinda entre grupos masculinos e que o SEVENTEEN vende muito bem devido aos vocais mais suaves de boa parte do seu lineup.

A tracklist começa pelo dreampop Heaven’s Cloud, avança pelo EDM da title Ready to Love - a filha de Lovesick Girls do BLACKPINK em 2021 - aterrissa no power pop de Anyone, no hyperpop 8-Bit de GAM3 BO1 e no disco de Wave - um charme o sample inicial remetendo à Hung Up da Madonna. E mesmo em seus momentos finais e mais previsíveis tudo funciona: Same dream, same mind, same night é uma balada R&B situada no clima geral do álbum e que parece saída diretamente de algum álbum do Backstreet Boys. Eu, pessoalmente, adoro. Boygroups, façam a lição de casa. É mais por esse caminho que vocês devem ir já que o mundo seria um local muito mais feliz se vocês tomassem a decisão de soltar um pop leve, descompromissado e rico em desambiguações da música eletrônica como o SEVENTEEN fez.

03 : (G)I-DLE, I Burn O (G)I-DLE é o atual motivo pelo qual a CUBE paga suas contas e se sustenta. O lado realmente bom nessa constatação é que o grupo também desova algumas coisas bem singulares que fazem jus à popularidade alcançada por Soyeon e amigas. O I Burn é o quarto e melhor mini álbum do girlgroup desde a sua estreia com o I Am, pegando carona na existência de HANN (Alone) - ainda a melhor title delas - e expandindo a temática e ambientação da música por outras seis faixas novas. Por mim, tudo ótimo.

Da abertura épica em HANN (Alone in the Winter), passando pela title intensamente teatral HWAA, a midtempo cadenciada MOON, a EDM pro Tomorrowland Where is Love e a melódica e melodramática LOST, até o desfecho na catártica DAHLIA, o (G)I-DLE entrega um hall de grandes músicas que são elevadas não só pela produção muito bem pensada como uma unidade no projeto, como também pela força que o time de integrantes apresenta numa altura do campeonato onde elas já podem usufruir de uma certa maturidade nas carreiras. Dentro de um mercado onde novos lançamentos saem quase que diariamente, um mini álbum se sustentar por meses e mostrar fôlego para chegar ao final do ano como um destaque é prova suficiente do quanto ele é bom. Com o I Burn funciona assim: ele nunca saiu do meu favoritismo desde o lançamento e eu acho que será difícil o próprio grupo bater ele em próximos comebacks, mas não descarto totalmente essa possibilidade.

Das novidades deliciosas que saíram após esse mini e que valem dar uma pincelada até que a Soojin esclareça se xingou ou não alguém no tempo da escola: Last Dance é uma propaganda aleatória para um jogo que rendeu um bom single para o sexteto e vale a pena ouvir, lado a lado com o debut solo da Yuqi com a dupla Giant e Bonnie & Clyde, e com o comeback solo da Soyeon com seu mini álbum Windy, encabeçado pela divertidíssima BEAM BEAM.

02 : GWSN, THE OTHER SIDE OF THE MOON O GWSN é um dos meus grupos favoritos. A trilogia The Park in the Night constitui três dos meus minis prediletos do K-Pop e o comeback anterior delas com o the Keys, investindo em uma proposta mais comercial, também desce que é uma delícia. Contudo, eu ansiava por um momento como THE OTHER SIDE OF THE MOON na carreira delas. Mais ou menos como ocorreu com o LOONA no [&] uns dias atrás, o THE OTHER SIDE OF THE MOON é um álbum que procura pegar um grupo mais experiente, que passeou fora da rota esperada pelo público por um período de tempo, e trazê-lo de volta para sua origem musical. Claro que aqui em menor escala pelo alvoroço com as Garotas do Parque ser menor do que com as Garotas do Mês, mas ainda podemos traçar o paralelo considerando o quanto esse novo álbum do GWSN conversa mais com a trilogia inicial delas do que com seu antecessor. Singular no ponto ideal perante o mercado, familiar o bastante para que um fã do GWSN o reconheça, o THE OTHER SIDE OF THE MOON se situa como mais um exercício inventivo do girlgroup no terreno da música eletrônica e em diversas escapatórias possíveis para abrigar esse universo musical nos moldes do K-Pop - uma ideia seguida pelo grupo desde o debut, que faltou na concepção do the Keys mas esteve presente nos volumes do The Park in the Night, e que agora pode ser resgatada e subvertida com uma energia diferente.

Dá certo em todas as faixas: Burn é uma introdução de future bass mais etérea e intensa, I Can’t Breathe - minha favorita - é uma faixa eletrônica performativa por natureza que se esbalda em dark wave, Like It Hot - a title do comeback - combina tendências do trap com violinos e um refrão funky que dialoga legal com o house outrora assinatura dos singles do GWSN, e i e i o pega uma cantiga infantil do McDonald’s e monta um thriller eletrônico em cima de uma música pop, e ainda temos espaço para o R&B intergaláctico Starry Night e o jazz I Sing (lalala), faixas acima da média para o cenário sul coreano de baladas. O dinheiro para investimento no GWSN pode até estar acabando - infelizmente nem todo grupo paga as contas fazendo um som mais singular na indústria, mas vai explicar isso para kpopper purista amargurado... - mas ainda há ímpeto para mantê-las atirando com ótimos projetos. Que assim seja enquanto durarem as economias de qualquer que seja a empresa que elas estão agora.

01 : SHINee, Don’t Call Me Eu ouço K-Pop de forma contínua há uns bons 5 ou 6 anos. E depois desse tempo considerável presenciando várias mudanças na indústria, nos conceitos vendidos pelos grupos e nas gerações de idols que surgem de tempos em tempos, eu reparo que o que ainda me mantém preso ao K-Pop é a imensa diversidade de lançamentos que eu posso encontrar nessa cena que derivam da música pop e colocam um pouco mais de fôlego nessa máquina comercial. Me considero suspeito para comentar positivamente as tendências atuais do K-Pop já que meu grupo favorito é da quarta geração - LOONA - e eu não vi TWICE, Red Velvet e suas colegas de geração debutarem - BLACKPINK eu vi - eu cheguei no público e já peguei o bonde andando com elas, assim como peguei o desfecho da carreira do Wonder Girls e do f(x). De certa forma eu posso dizer que apenas de 2018 pra cá que eu me tornei ouvinte intensivo e dedicado em acompanhar K-Pop e entender de onde ele surgiu, para onde foi, aonde está e para qual lugar ele ainda pode ir - sim, sou nerd de música pop. E quanto mais eu me aprofundava e expandia meu conhecimento sobre K-Pop, mais eu me deparava com grupos velhos de guerra que ainda resistem em seus contratos ou que deixaram seu legado antes do disband, e entre eles está o SHINee na primeira categoria. Eu poderia ranquear qualquer outro álbum do Top 10 nessa posição do Mid-Year, mas nenhum dos artistas que lançaram algo novo em 2021 e estão construindo nome agora se inserem no panorama que o SHINee está inserido. E não só porque o Don’t Call Me veio com uma title em linha com o mercado atual, em especial aquele segmentado pelas sonoridades de grupos da SM como o NCT, muito menos pelo álbum ter vendido muito bem para os padrões de desempenho de um grupo sênior, mas sim porque o novo álbum deles encapsula o resumo geral do que o K-Pop, de forma essencial, é: entretenimento.

Nenhuma música do Don’t Call Me muda vidas profundamente no K-Pop de 2021, mas todas elas são muito boas. Elas até poderiam estar em outros álbuns da SM, mas não teriam o mesmo apelo que possuem por estarem no álbum do SHINee e serem vendidas a partir da imagem e identidade que só eles possuem e imprimem ao longo da carreira. É até engraçado que o cartão de entrada nesse álbum seja justamente um troço mais fabricado e formulaico da quarta geração como Don’t Call Me. Eu gosto, mas ela não é a música que mais me ocupa no dia a dia: eu sempre vou preferir curtir o funky de Heart Attack, me deliciar com as harmonizações vocais de Marry You, agradecer o Taemin por ter repassado uma de suas demos para o grupo inteiro em CØDE, ouvir o SHINee emulando teen pop de boyband dos anos 2010 com aquela guitarrinha herdada do Prince em I Really Want You, rebolar com o baixo grooveado de Kiss Kiss, andar na rua com Body Rhythm nos fones, fantasiar com um MV aesthetic baseado nos cenários do ensaio fotográfico (impecável) do álbum para Attention - minha favorita - e ficar realmente surpreso com o ótimo uso do vocoder em Kind. Ouçam tudo.

Antes do SHINee entrar em hiato novamente porque o Taemin foi pro exército, a SM ainda agilizou um repack dentro desse comeback: a title homônima Atlantis anda em linha com a expectativa geral acerca dos lançamentos do SHINee, sendo aquela música pop redondinha perfeita que casa mais com o conjunto de faixas levantado anteriormente do que Don’t Call Me. Ótimo também, soma legal ao álbum ao lado das bsides Area e Days and Years. Esse é o primeiro comeback do SHINee que eu presencio e, curiosamente, também é o momento de 2021 que melhor reforça o quanto o K-Pop pode ocupar minha mente com tudo que eu preciso: uma dose de música pop que sabe ser inventiva quando quer, tanto quanto sabe como se fazer funcionar no mais puro, dançante, delicioso e espetacular entretenimento.

LEFTOVERS

Um pequeno - e talvez extenso - compilado de álbuns (minis, fulls e singles) que são muito bons mas ficaram de fora do Top 10 por serem muito recentes ou por sobrarem na enxugada que eu fiz pro ranking. E como eu sou tagarela, tem uns comentários sobre eles na sequência:

> LOOΠΔ, [&] Se tivesse saído um pouco mais cedo, esse aqui já teria seu lugar marcado no ranking final - mas até o fim do ano ele deve chegar lá. Enquanto a maioria das pessoas em esferas blogueiras e derivados rejeita a atual guinada do LOONA para um som mais mainstream, eu não tenho problema algum com isso quando as coisas são muito bem executadas. PTT funciona perfeitamente comigo para carregar esse comeback e toda a aura de hip-hop dos anos 2000 em torno dela fala muito mais alto para mim do que a insistência do kpopper purista em achar que girlcrush é ruim só porque alguns grupos se apropriaram dele primeiro nos últimos anos.

O mini também não fica atrás: WOW é uma delícia de hip-hop old school noventista, Be Honest cairia perfeita em um álbum do Girls Generation, Dance On My Own é uma midtempo em linha com o R&B/Pop que dominou o ocidente nos últimos anos, A Different Night é um baladão de classe com ares oitentistas e U R faz as vezes de baladinha sóbria minimalista que o K-Pop devia investir mais. Enfim, álbum mais consistente do LOONA na íntegra desde o [× ×].

> Brave Girls, Summer Queen A Coreia resolveu descobrir o Brave Girls e viralizar Rollin’ em 2021. Bom para as meninas que engataram uma porrada de aparições na mídia, comerciais e um comeback espertíssimo no verão para ocupar o trono vazio do SISTAR durante essa temporada.

O Summer Queen também podia entrar no Top 10, só foi cortado pela quantidade de faixas que ele possui acabar dando uma diminuída no potencial dele perto de outros lançamentos mais extensos que oferecem mais espaço para seus grupos atuarem. Ainda assim, Chi Mat Ba Ram, Pool Party, Summer by myself e FEVER são músicas incríveis que consolidam esse revival do Brave Girls para o sucesso definitivo como um dos melhores acontecimentos do ano.

> ONF, CITY OF ONF Esse aqui estava no Top 10 e caiu um degrau após o SEVENTEEN lançar um mini absurdo de bom. No entanto, o CITY OF ONF é um dos cortados do ranking que mais vale a pena ouvir. CITY OF ONF não é um álbum perfeito, mas se mostra um dos álbuns mais bem planejados em tempos recentes, formando uma unidade consistente em seu conjunto final que rende uma boa experiência para quem ouve. Pontos para os produtores e o lineup bem talentoso de garotos que formam o grupo e levantam a qualidade até de algumas faixas bastante comuns no K-Pop.

Destaque para a title colorpop Beautiful Beautiful com seu MV escorrendo orçamento - o sucesso recente do OH MY GIRL beneficiou bastante seus irmãos de empresa - Trip Advisor, as faixas das units ON e OFF do grupo, My Name Is que existe só pela graça de introduzir os membros um a um e, claro, o ponto alto do projeto: The Realist e sua fusão entre pop oitentista com clima cyberpunk e uma guinada magistral para um R&B nos segundos finais.

No relançamento com três faixas adicionais, Ugly Dance é uma title bem divertidinha que abre bem o álbum e ainda interpola partes de Beautiful Beautiful. My Genesis é um power rock de primeira que supera até algumas músicas da primeira versão do álbum e The Dreamer é a irmã de The Realist em título, tema e produção, referenciando sua parente próxima com mais uma interpolação em tal ponto - pequenos detalhes que reforçam o quanto esse álbum é bem pensado como unidade e um exemplo a se seguir para os grupos conceituais que querem se tornar mais interessantes.

> Cherry Bullet, Cherry Rush O direcionamento administrativo e musical do Cherry Bullet ainda é uma zona, mas eu torço pra elas fincarem os pés no synthpop disso aqui pois é o melhor lançamento delas até o momento. Todas as músicas valem a pena e Love So Sweet está consolidada como uma das músicas mais deliciosas do K-Pop em 2021 até a presente data. > OH MY Girl, Dear OHMYGIRL A combinação entre uma title descompromissada e uma porção de bsides melodramáticas é um caminho que o OH MY GIRL consegue trilhar com bastante sucesso desde a sua subida ao mainstream do K-Pop. Dear OHMYGIRL pode não ser o projeto mais ambicioso do grupo - esse posto ainda fica com o The Fifth Season - mas mantém elas como um nome bastante atrativo no cenário musical que paga as contas da casa e ainda rende uma grana para o ONF coexistir. Bom para elas, para eles e para nós. > ITZY, GUESS WHO O GUESS WHO também não é o melhor trabalho do ITZY, mas as adms da Quebrando o Tabu ainda rendem um belo caldo mesmo seguindo um direcionamento menos singular em comparação com os tempos de WANNABE e Not Shy. De acordo com sua disposição, você pode encontrar coisas muito boas aqui: KIDDING ME, Sorry Not Sorry e SHOOT! são ótimas adições ao catálogo geral do grupo.

> IU, Lilac O Lilac é mais um álbum lindo pra coleção de álbuns lindos da IU que funcionam muito comigo, mas nem sempre funcionam com o público geral do K-Pop - no Ocidente, pelo menos. Embora a IU tenha prometido mais inovação do que cumprido as mesmas aqui, Lilac é o single mais interessante dela desde Palette e faz uma boa casadinha com a espevitada Coin. Partindo dessas titles, você vai encontrar um trabalho genuinamente acima da média - como quase tudo da cantora, que sabe muito bem quando inovar e quando fazer bem feito o som esperado dela. > HyunA, I’m Not Cool Muita gente não sabe dessa informação, mas os minis da HyunA são muito bons e sempre trazem bsides bem interessantes a tira colo. Ouçam esse também. Do farofão de grandes gostosas, passando pelo pop despretensioso de grandes gostosas e chegando até as ótimas midtempos sensuais de grandes gostosas, a HyunA fez sua estreia na PNATION com bastante destreza no I’m Not Cool. > Whee In, Redd O mini da membro mais hipponga do MAMAMOO consolidando ela como a maior hipponga de cafeteria no circuito mais comentado do K-Pop. Gosto bastante da Whee In e esse mini é uma boa escolha de audição para quem gosta de ouvir K-Pop e quer fugir um pouquinho do som mais comercial padrão de solistas e grupos, ainda que continue sendo bastante comercial para o público jovem adulto descoladinho.

> OnlyOneOf, Instinct Pt. 1 Biscoiteiros com Power Pop e R&B. Sou fã do OnlyOneOf desde o debut deles que conquistou só umas dez pessoas e bate um leve orgulho de ver que a esfregação em libidO rendeu mais popularidade para os meninos. As quatro músicas compiladas aqui são muito boas e mostram um tico da versatilidade que o boygroup do Jaden Jeong possui. Ansioso pela segunda parte, visto que ela pode até alavancar esse álbum pra rankings mais altos até o final do ano. > A.C.E, SIREN:DAWN Biscoiteiros com estética artística e um refinamento musical combinando o melhor do Power Pop com o Synthpop. O A.C.E é um grupo que sabe montar as tracklists dos seus álbuns com coisa boa, e embora esse aqui não seja tão fácil de gostar de cara quanto outros da discografia deles, o resultado final é muito bom para o boygroup e mostra que eles podem ir além do tryhard convencional. > Wonho, Love Synonym #2 : Right for Us Biscoiteiro com Synthpop E R&B. Não deixe o tamanho da bunda do Wonho no Instagram te distrair, ele sabe muito bem o que fazer na música. Esse segundo volume do Love Synonym não é tão impactante, mas mostra como o Wonho sabe se desenvolver em cima de midtempos sensuais gemidas que tiram o melhor de seus vocais e braços bombados. Não gosto de Padrão - MENTIRA.

> DREAMCATCHER, Dystopia : Road to Utopia Outro mini muito bom do DREAMCATCHER humilhando metaleiro velho conservador. Infelizmente os minis do grupo se queimam muito rápido e eu esqueço deles em pouquíssimas semanas, mas revisitá-los de tempos em tempos prova o quanto a direção das garotas é boa. Poison Love é um puta musicão clubber noventista, diga-se de passagem. > PURPLE KISS, INTO VIOLET Um bom mini de debut que cola na linha do DREAMCATCHER, outras vezes se empresta da imagem mais sóbria do (G)I-DLE, e sabe fazer isso muito bem para distanciar o PURPLE KISS da impressão musical ainda bem forte do MAMAMOO. Se bem que só por Can We Talk Again as meninas já mereciam um espaço no ano, mas olha, tem coisa bem legal aqui nos lados B também. > PIXY, Fairy Forest : Bravery Mais um mini de debut bem legal de EDM e inspiração em DREAMCATCHER. Embora o PIXY tenha cometido o erro de ter uma estética maior que o som entregue no debut com Wings, o mini arruma melhor a casa ao apresentar Let Me Know como uma boa filha de ME do CLC e The Moon é o direcionamento esperto que elas deviam usar de title. Quanto ao resto, nada acima da média mas divertido para agradar a roda punk de góticas do K-Pop.

> NCT Dream, Hot Sauce Enquanto o WayV não me serve algo a altura do seu lineup, o NCT Dream entrega o full mais interessante do NCT até aqui e reforça a habilidade da SM em montar tracklists bacanas para seus grupos em vários álbuns. My Youth, Dive Into You e Rocket são bons acréscimos para o ótimo momento que os boygroups vivenciam em 2021. E a title do repack, Hello Future, funciona mais ou menos como Atlantis no álbum do SHINee, combinando bem mais com o conjunto geral desse álbum - além de ser claramente a Ice Cream Cake do Red Velvet feita pelo NCT. > ASTRO, All Yours O ASTRO nunca me chamou muita atenção, mas o All Yours caiu na minha vida por alguma razão e valeu a pena. O maior diferencial aqui é ONE e seu new jack swing muito bem marcado no refrão, mas a tracklist não faz feio e quem quiser ouvir mais boygroups fora do tryhard se sinta convidado para escutar esse aqui. > ENHYPEN, BORDER : CARNIVAL O ENHYPEN saiu do I-Land e conseguiu se estabilizar como um grupo bem interessante, em especial com esse segundo mini. Drunk-Dazed é uma delícia autotunada de primeira, seguida por Fever e sua guinada mais melancólica e o combo de Intro e Outro muito bem encaixados para dar mais corpo ao mini. Resumindo, eles tão num bom caminho tanto quanto o TXT.

> TAEMIN, Advice O diabo trabalha duro, mas o Taemin... Mesmo antes de ir pro exército o homem entregou um mini para gente curtir até sua volta. Advice não é a melhor forma do Taemin, mas serve um bom momento com sua title bem diferenciada para o histórico do cantor e uma coleção de midtempos sensuais típicas do meu solista favorito no K-Pop. Te espero no próximo comeback do SHINee meu amor. > HA SUNG WOON, Sneakers Por mais oppas do K-Pop lançando synthpop e tentando virar o sonho molhado oitentista de qualquer Carly Rae Jepsen no ocidente. Um lançamento bem interessante desse ex Wanna One, ainda que não se jogue de cabeça no retrô em todas as faixas. On & On e Sneakers são boas adições para listas de músicas do ano.

> BLOO, BLOO IN WONDERLAND 2 Fui ouvir só pela capa lindíssima e se saiu como uma bela surpresa do espectro mais hip hop do K-Pop. Existe algo na voz do BLOO que me faz dar mais atenção do que o normal para faixas que são bastante convencionais entre os sons que os rappers coreanos gostam de lançar, então quem sabe aconteça o mesmo com você. > The Volunteers, The Volunteers O The Volunteers é uma banda da Yerin Baek que existe só pela graça de reviver o garage band e o grunge dos anos 90 - e é ótima por isso. Embora não seja uma desconhecida, a guinada atual da Yerin Baek no K-Pop atualmente faz com que ela seja um nome bem descolado do cenário geral. Esse primeiro álbum da banda é bastante válido para os interessados em ouvir um trabalho diferenciado de uma artista conhecida da indústria que agora gosta de trilhar um rumo mais experimental e underground.

> Weeekly, We Play Adolescentes se divertindo e vendendo o sonho adolescente dentro da música pop é meu conceito favorito e o Weeekly vence dentro dele. IIIIII’M SO GOOOOD WITH YOOOOOOU. > STAYC, STAYDOM Eu ouço esse single e só penso: quando derem um mini de verdade pro STAYC, ninguém segura. STAYC GIRLS, IT’S GOING DOWN. > woo!ah!, WISH Mais uma coleção de musiquinhas do woo!ah! que me deixam feliz e não precisam de mais que isso para serem boas. CAN YOU CATCH MY PANDORA, OH MY, MY, MY, MY HEART. COTA OCIDENTAL

De bônus para a Cota Ocidental que lê esse site, um ranking especial de coisas que saíram no Brasil e mundo e que valem a pena ouvir: 01 Duda Beat, Te Amo Lá Fora 02 Japanese Breakfast, Jubilee 03 Wolf Alice, Blue Weekend 04 Pabllo Vittar, Batidão Tropical 05 Rico Dalasam, Dolores Dala Guardião do Alívio 06 Olivia Rodrigo, SOUR 07 twenty one pilots, Scaled And Icy 08 Doja Cat, Planet Her 09 Rebecca Black, Rebecca Black Was Here 10 Anavitória, COR


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